A relação do escritor com o blog talvez seja semelhante à que o escritor mantém com a crônica. Tanto o blog quanto a crônica funcionam como laboratório, exercício de escrita, contato com o mundo e com o leitor.
Um escritor precisa de visibilidade. E o exercício semanal da crônica, publicada em jornal ou revista, funciona como uma vritrine e como um espaço dialógico com o leitor. O blog talvez cumpra essa mesma função, no caso dos escritores em início de carreira ou que, mesmo não o sendo, já estão familiarizados com esse suporte.
Ao mesmo tempo, para quem escreve ficção, o blog pode funcionar como um laboratório de criação. Aqui estamos diante da hiperficção, modalidade narrativa que surge a partir da idéia de hipermídia e de hipertexto.
Assim, diante de questões como se os blogs podem ou não ser considerados berços de futuros escritores, a resposta é sim. Ora, o trabalho do texto é o berço do escritor. E não precisa ser necessariamente no blog, mas em qualquer mídia que veicule texto. Além disso, sempre se pode testar algumas histórias no blog antes de colocá-las em livro.
No vasto universo da blogosfera, destaco três blogs de escritores que fazem deste suporte um laboratório de criação.
O primeiro é o do poeta e jornalista Fabrício Carpinejar, do Rio Granbde do Sul, cuja produção poética pode ser conferida aqui. Também do Sul é o blog de Paulo Ribeiro, escritor, cronista e jornalista de Caxias do Sul. Em vitrola dos ausentes, o leitor pode conhecer um pouco da obra do autor e do seu estilo bem peculiar. As luas que fisgam o peixe, publicado no ano passado, reúne em livro crônicas produzidas e postadas inicialmente no blog de Paulo Ribeiro.
O terceiro blog que destaco é o do poeta Chacal, que despontou nos anos 70 e que é um dos mais importantes nomes da produção poética das últimas décadas. A exemplo de Carpinejar e Ribeiro, publica suas produções literárias no blog chacalog.
Outro dia me perguntaram se o blogueiro é escritor. Não, assim como nem todo cronista é escritor (de ficção, no caso).
Mais complexa, no entanto, é a relação entre blog e estilo literário. Todo suporte deixa marcas na escrita. Há uma série de traços estilísticos que são típicos da escrita de blogs. E isso talvez influencie a própria narrativa de um conto ou romance concebidos por um escritor que, antes de ser escritor, já era blogueiro.
Tudo depende de quem posta as matérias no blog. Seja como for, escrever num blog (com assiduidade e regularidade) pode ser o primeiro, ou um importante passo, na trajetória de um futuro escritor.
M.S.V.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Criação literária em blogs
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Mauro Souza Ventura
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12:02
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Marcadores: literatura digital
terça-feira, 15 de julho de 2008
A função dos blogs
Gosto de pensar nos diários virtuais como uma alternativa de informação e de opinião à grande mídia. Transparência e independência são, ou deveriam ser, os valores supremos de um blog.
Afinal, blog não precisa obrigatoriamente de propaganda para sobreviver. Se correr atrás de audiência, ou se pautar seus posts por esse critério, o blog acabará reproduzindo a grande mídia.
O mesmo vale para os blogs de portais. Se estão lá, é por que se pautam pela audiência, pelo entretenimento, por critérios de noticiabilidade na maioria das vezes viciados. Portais currais, como já disse André Lemos.
Também me incomoda o excesso de opinião nos blogs. A opinião sozinha quase nada vale. É preciso estar apoiada em informação ou em análise.
A repercussão de assuntos, ou a prática de reblogar aquilo que se viu em outro site ou blog, não pode ser a matéria-prima principal de um blog. Se não vira clipping.
Se um blog deseja firmar-se enquanto espaço jornalístico, então precisa deixar bem clara essa posição.
Os blogs não podem repetir a grande imprensa.
Afinal, o que os define é o viés colaborativo, seja do ponto de vista tecnológico (pela exclusão dos intermediários), seja no aspecto de conteúdo.
M.S.V.
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Mauro Souza Ventura
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00:50
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Marcadores: Blogosfera
domingo, 6 de julho de 2008
Internet na Classe C
E sempre que me questionavam sobre tendências do webjornalismo respondia com uma ponderação: depende do país, depende da região.
Agora o Portal Terra divulga resultados de pesquisa sobre os internautas brasileiros. Os dados coletados são interessantes e indicam um avanço do acesso à Rede entre integrantes da classe C.
Vejamos:
- 49,4% dos jovens da classe C acessam a Internet de casa;
- 23,6% acessam a Internet a partir de lan houses;
- 77,2 % dos internautas da classe C tem conexão banda larga;
A pesquisa ainda informa que houve pequena variação no percentual de acesso à Rede junto à classe C: no ano passado eram 37% do universo total de internautas brasileiros e, nesse ano, deve chegar a 40%.
De novo é preciso lembrar a limitação da pesquisa. Mas não deixa de ser auspicioso pensar que o acesso à Rede caminha, ainda que lentamente.
Por fim, uma pergunta: onde esses jovens buscam informação? Ou será que a informação vai até eles? E de que qualidade e com qual credibilidade isso ocorre? Perguntas para uma outra pesquisa.
Prof. Mauro
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Mauro Souza Ventura
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22:18
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Marcadores: sociedade em rede
domingo, 29 de junho de 2008
O webjornal e a distribuição de conteúdo
Imagine ter acesso ao conteúdo informativo de um site de notícias em locais como lojas virtuais, blogs, redes sociais como Orkut, Facebook ou MySpace, e até em mapas do Google Earth.
Pois é este o objetivo do The New Yotk Times. Um dos mais influentes jornais americanos, o Times não está satisfeito em continuar apenas produzindo conteúdo: quer também se transformar numa plataforma de distribuição de conteúdo.
Reportagem de Rodrigo Martins no Caderno Link (OESP, 2/6/08) informa que o jornal americano irá liberar os códigos-fonte que possibilitam acesso ao seu conteúdo. Com isso, os programadores de outros sites, blogs e redes sociais poderão não só reproduzir como combinar o conteúdo noticioso do Times com produtos e serviços oferecidos na rede.
A iniciativa é uma estratégia para atrair o público jovem para o jornal, ou melhor, para o conteúdo do jornal, esteja o leitor onde estiver, em blogs, redes etc. “Os jornais não podem mais ser só jornais. Têm de ser produtores de conteúdo para todas as mídias”, afirmou Mark Frons, o responsável pela área de tecnologia do NYT.
Prof. Mauro
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Mauro Souza Ventura
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21:33
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Marcadores: Rumos da mídia
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Pequena crônica sobre um grande gênero
Prof. Mauro
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Mauro Souza Ventura
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terça-feira, 10 de junho de 2008
A blogosfera cubana conhece o debate
Prof. Mauro
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Mauro Souza Ventura
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17:25
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Marcadores: Blogosfera
domingo, 1 de junho de 2008
Webrádio, veículo colaborativo
Criado por Magaly Prado, jornalista, radiomaker e professora da Faculdade Cásper Líbero, em S. Paulo, o site surgiu de sua primera pesquisa na área, intitulada "Audiocast livre: um produto da comunidade dos descontentes", produzida como dissertação de Mestrado em Tecnologias da Inteligência e Design Digital , da PUC/SP. De acordo com o material de divulgação do site, os formatos tradicionais de rádio devem ceder lugar aos conceitos de "troca e colaboração nas construções sonoras, incentiando o ouvinte a ser criador e revelando um espaço para ele produzir e encontrar o que não é possível em meios tradicionais".
Magaly Prado explica no site que a proposta do Nooradio é "estimular o próprio usuário a lançar audiocasts nos quais o ouvinte possa interferir no conteúdo. Não é mais suficiente deixá-lo participar apenas da produção e da programação, mas também instigar esse ouvinte a usar softwares de montagem e edição, tornando-se co-autor no melhor estilo colaborativo. É necessário enfatizar ainda que o produto idealizado deve proporcionar total liberdade de intervenção por parte do ouvinte".
Pelo visto, o velho sistema broadcast está com os dias contados. Em seu lugar, surge a rádio personalizada, ou melhor, customizada do audiocast.
Prof. Mauro
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Mauro Souza Ventura
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15:30
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Marcadores: Rumos da mídia