segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Hipermídia e escrita do hipertexto

Que elementos tornam possível a não-linearidade da escrita hipertextual? Trata-se da hipermídia, dispositivo tecnológico que engloba recursos do hipertexto e da multimidialidade. Elementos inseparáveis, as tecnologias da hipermídia e do hipertexto viabilizam a construção de um texto fragmentado, atomizado em seus elementos constitutivos, ou seja, as lexias.

Conforme George Landow, “essas unidades legíveis passam a ter vida própria ao se tornarem menos dependentes do que vem antes ou depois na sucessão linear”. Assim, é a tecnologia hipertextual que permite que a Web seja uma teia, uma malha de informações interconectadas, numa sucessão de links que conduzem o usuário a diferentes pontos do sistema.

Outra característica fundamental da não-linearidade do hipertexto está no surgimento de uma seqüência arbitrária de links. Isto conduz o problema para o conceito de complexidade, entendido aqui como algo que é tecido em conjunto, traço maior da hipermídia.

Esta organização policêntrica dos sistemas hipermidiáticos altera o sentido de texto principal e texto secundário. Como assinala Landow, “o hipertexto redefine o central ao recusar dar garantia de centralidade a qualquer coisa, a qualquer lexia, por mais tempo que um olhar repouse sobre ela”.

Assim, se cada site representa um centro, estamos na verdade diante de um sistema acentrado. Ao mesmo tempo, cumpre assinalar que a natureza desta escrita topográfica é móvel; logo, a arquitetura da informação deve ser concebida como algo mutável e flexível.

Para saber mais:
LANDOW, George. Hipertext: the convergence of contemporary critical theory and technology. Baltimore: Jonh Hopkins Univ. Press, 1992.
LEÃO, Lúcia.
O labirinto da hipermídia: arquitetura e navegação no ciberespaço. São Paulo: Iluminuras, 2001.

Prof. Mauro

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

O que é o hipertexto?

Inicio o ano de 2008 com um post sobre tema que considero dos mais fascinantes da área de mídias digitais: o hipertexto.

São muitas as definições de hipertexto, mas é ponto pacífico entre os estudiosos que tal definição inclui a natureza não-linear e não-seqüencial desta narrativa e, por conseqüência, sua estrutura aberta e inacabada.

Assim, a não-linearidade instaura uma nova ordem na leitura de um documento, que poderá diferir de um leitor para outro. O texto não-linear é aquele que, por meio de um “agenciamento cibernético”, estimula o surgimento de uma seqüência arbitrária. Isto significa dizer que o hipertexto permite o estabelecimento de ligações rápidas para diversas redes associativas. Como conseqüência, instaura e potencializa uma leitura descontínua e multivocal.

Do ponto de vista narrativo, a escrita hipertextual nos coloca diante de uma nova configuração de categorias clássicas da textualidade: a este novo conceito de texto está ligado um novo leitor e, mais adiante, um novo conceito de autoria.

Tenho me perguntado sempre sobre o impacto desse novo paradigma textual no trabalho jornalístico, em especial naqueles elementos que viabilizam a construção da narrativa jornalística. Diante das potencialidades do hipertexto, como ficam, por exemplo, os critérios de seleção da notícia e a própria hierarquização do noticiário numa página web? Uma pergunta a espera de respostas.
Prof. Mauro

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Um modesto balancete

Sempre evitei o uso da primeira pessoa neste blog. Também o tom confessional pareceu-me distante daquilo que desejava instaurar num espaço como esse, que nasceu coletivo e que visa à reflexão sobre o webjornalismo e as mídias digitais. Hoje saio um pouco desses princípios.

Com o final de mais um ano letivo, é natural que o olhar se volte para o retrovisor, em busca da estrada que acabamos de percorrer.

A disciplina de Jornalismo Digital 1, que ministrei entre agosto e dezembro, para os alunos de Jornalismo (Período Diurno) da Unesp/Bauru, concentrou-se em dois grandes eixos temáticos: a reflexão teórica sobre o webjornalismo brasileiro atual e a produção jornalística feita pelos blogs. Além disso, os alunos produziram notícias para o webjornal-laboratório Mundo Digital (pertencente ao portal de mesmo nome e hospedado em plataforma colaborativa do Projeto Tidia/Fapesp).

Pelo terceiro semestre consecutivo, desde que fui convidado a assumir a referida disciplina, tenho orientado e estimulado os alunos, seja em suas produções para o webjornal, seja na reflexão crítica sobre o que se faz hoje em jornalismo digital. Os resultados têm sido positivos e podem ser conferidos tanto neste blog quanto no webjornal, disponível em www.radiovirtual.unesp.br.

Mas é preciso seguir em frente e experimentar novos formatos narrativos para a notícia digital. Isso fica para outro post. Obrigado a todos aqueles que acreditaram nessas experiências.
Um feliz 2008!

Prof. Mauro

sábado, 1 de dezembro de 2007

Jornalista multimídia

A expressão, apesar de desgastada pelo uso, denota uma certeza cada vez mais inquestionável no jornalismo atual. O processo de captação da notícia, até então sempre ou quase sempre circunscrito a uma das mídias, ganha complexidade e ameaça embaralhar as fronteiras entre os diferentes formatos jornalísticos.
Exige-se cada vez mais do repórter que apure os fatos e os armazene em diferentes dispositivos: áudio, vídeo, foto e texto. Esta nova realidade profissional, aliada à miniaturização dos equipamentos de apuração, exige uma formação diferenciada: além de competência e talento para desempenhar a função de repórter, os candidatos a jornalista precisam também saber trabalhar com filmadora e câmera fotográfica, além de manipular arquivos de áudio e vídeo. Isso é o mínimo indispensável.
Também as especificidades de linguagem de cada meio precisam ser trabalhadas pelos profissionais. Isso requer uma urgente mudança da grade curricular dos cursos de Jornalismo. “Técnicas de Reportagem”, que sempre foi uma das disciplinas introdutórias dos cursos, e geralmente calcada sobre a mídia impressa, precisa contemplar essa multimidialidade.
Em outras palavras, o jornalista multimídia não é mais só aquele que trabalha para suportes digitais. Todo o processo de captação da notícia passa a ter a marca dessa multimidialidade.
Prof. Mauro

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Metalinguagem em blogs

Ana Carolina Almeida

Notícias e informações sobre novas tecnologias são divulgadas diariamente em todos os meios de comunicação. Na Internet, essa divulgação torna-se praticamente uma “metalinguagem”, uma vez que a rede mundial faz parte do mundo de novidades relacionadas à tecnologia. É com essa metalinguagem que os blogs MacMagazine, MeioBit e Undergoogle trabalham. O objetivo dos três blogs é divulgar novidades no mundo tecnológico e de Internet, além de trazer a opinião dos autores e proporcionar a discussão entre os internautas que acessem o blog.
Antes de criar o MacMagazine o estudante de Publicidade e Propaganda Rafael Fischmann teve um portal de notícias e um podcast. Como estes demandavam muito tempo de trabalho, Rafael decidiu montar um blog, segundo ele, “mais informal e descontraído”. Como o blog pegou, o futuro publicitário decidiu abandonar os outros meios. Luiz Eduardo Nicolini, um dos criadores do Meiobit, conta que o blog surgiu como forma de hobby, mas com o aumento dos comentários dos leitores acabou ganhando maiores proporções e foi ficando sério. Já o Undergoogle surgiu quando Fernando Kanarski e Bruno Soares, lendo notícias internacionais sobre o google na Internet, descobriram que não havia nenhum site brasileiro que passasse essas informações no país. Então, se cadastraram em um serviço de blog (blogger) e começaram a escrever sobre o tema.
Apesar de tratarem do mesmo assunto, cada um dos três blogs têm suas especificidades. O MacMagazine foca-se em temas relacionados à plataforma Apple/Macintosh, mas Rafael destaca que qualquer outro assunto relacionado à tecnologia, Internet e eletrônicos é bem vindo no site. O Meiobit, por sua vez, não tem um enfoque específico. “Gosto de escrever sobre novos lançamentos, dicas úteis para os usuários e curiosidades”, afirma o criador Luiz Eduardo. Já o Undergoogle, como o próprio nome diz, procura divulgar as novidades do Google para o público brasileiro.
O caráter informativo está presente nos três blogs, mas os autores não consideram seus textos como notícias. “A idéia do site não é ser um portal de notícias; para isso, existem diversos outros sites por aí, que tentam ser imparciais e promovem objetividade e seriedade em seus artigos. Nossa idéia é ser algo mais pessoal, informal, descontraído e até parcial, se for o caso”, afirma Rafael Fischmann, do MacMagazine. Para ele, o importante é informar o leitor de uma forma diferente do que pode ser encontrado em outros sites. “Publicamos o que achamos de interessante dentro desses assuntos e o que achamos que pode acrescentar algo para o leitor e tornar o nosso site e conteúdo diferentes de todo o resto”, considera. Além disso, Rafael comenta que o sucesso do blog é garantido pelo fato de os colaboradores serem de áreas profissionais diferentes.
Para o criador do Undergoogle, o importante é divulgar o que os brasileiros querem saber. “Escolhemos os assuntos por maior importância para os brasileiros, tentamos trazer os lançamentos, novidades e dicas para a realidade brasileira. Portanto, nos baseamos na reação dos leitores, analisando comentários, palavras chave utilizadas para se chegar ao blog e assuntos interessantes do momento”, comenta o estudante Fernando Kanarski.
Sobre as ferramentas utilizadas na Internet, Fernando afirma que para ter um blog várias delas são necessárias. As que ele mais utiliza são o sistema de estatística (importante para controlar se o conteúdo tem um índice satisfatório), o sistema para acompanhar e distribuir conteúdo via RSS e a monetização (ferramenta que adiciona publicidade aos blogs). Rafael Fischmann, do MacMagazine, se diz um internauta assíduo e destaca a importância do meio. “A web é minha principal fonte de pesquisas profissionais e acadêmicas, e também meu principal meio de comunicação, depois do pessoal: sou assíduo usuário de e-mail, mensageiros instantâneos e comunicadores audiovisuais”, revela.
Quanto ao futuro dos blogs, os três autores são otimistas. Fernando Kanarski conta que já recebeu contatos de empresas e agências querendo anunciar no undergoogle (que, em 2006, ficou entre os Top3 do prêmio Ibest e ganhou um prêmio de dez mil reais). “Acho que o blog deixou de ser aquele ‘diário de miguxo’ para se tornar uma nova forma de mídia, talvez sem tanta credibilidade quanto um jornal ou revista, mas com um potencial incrível por permitir que qualquer pessoa comece a qualquer momento escrever sobre um determinado assunto, influenciando muitos leitores com um perfil semelhante e gerando um grande potencial de consumo”, afirma.
Luiz Eduardo considera que o blog é um novo estilo de imprensa que está em evolução. “Não vejo os blogs como mais uma moda da internet, que desaparecerá assim que outra novidade mais interessante surgir. Considero o futuro dos blogs muito promissor. Hoje, em cinco minutos é possível criar um blog e, ter o seu espaço para se manifestar. Com isso, é possível abordar temas que geralmente são evitados pela impressa tradicional, emitindo opiniões próprias”, destaca um dos autores do meiobit (terceiro blog mais lido do Brasil, segundo o Top50 FeedBurner Brasil).
Para Rafael Fischmann, o interessante dos blogs é que qualquer pessoa pode ter um, e há espaço para todos. “É certo que não se pode confiar em nada que se lê na internet, mas qualquer um pode trabalhar e lutar para conquistar a confiança dos seus leitores, se tornando tão importante quanto uma publicação impressa e consolidada”, acredita o criador do MacMagazine.

Do verde ao virtual

Como o jornalismo ambiental pode mobilizar pessoas e ajudar a preservar a natureza


Ana Carla Lopes
Ana Stella Guisso


Quando a internet parecia um meio onde a licenciosidade prevalecia sem regras de organização bem estipuladas, o surgimento dos blogs veio para legitimar a “verdadeira” e irrestrita liberdade de expressão. Sem a figura materializada de um censor que pudesse editar ou vetar seus textos, os blogueiros são os únicos responsáveis pela filtragem das informações que adentram o seu espaço virtual, é o que pensa a estudante de jornalismo Anne Rodriguez que possui um blog sobre jornalismo ambiental. “Eu gosto da possibilidade de você poder ser seu próprio editor. O blog dá liberdade, que é fundamental para o jornalista. Com essa possibilidade, a isenção jornalística ganha fôlego para prevalecer”, comenta.

E ganhou mesmo. Atualmente, existem 62 milhões de blogs, de acordo com os dados de Technorati (site que lista os blogs mais acessados do ciberespaço), e 175 mil novos surgem a cada dia. Surgido em 1997, o blog é uma recurso da web onde se postam textos, fotos, vídeos e áudios dos mais diferentes assuntos. A temáticas dos blogs pode variar de um diário pessoal de um adolescente a um púlpito de reivindicações político-partidária, passando por páginas de conteúdo jornalístico. Blog é uma abreviação de weblog, qualquer registro frequente de informações pode ser considerado um blog (até as últimas notícias de um jornal online, por exemplo).

Uma das vantagens das ferramentas de blog é permitir que os usuários publiquem seu conteúdo sem a necessidade de saber como são construídas páginas na internet, ou seja, sem conhecimento técnico especializado. Além de ser um bom método, para as que pessoas que possuem sites, de atualizar seu conteúdo de maneira mais rápida e descomplicada, em qualquer lugar do mundo.

O jornalista Senildo Melo foi contagiado pela biodiversidade que o cerca. Morador de Rio Branco, capital do Acre, ele desenvolveu um blog cujo objetivo é divulgar as boas reportagens produzidas na região Amazônica sobre turismo, produção da consciência ecológica e meio ambiente.
Tanto Senildo quanto Anne acreditam que a internet é a mídia que permite o acesso a um grande fluxo de informações sobre o meio ambiente. “São inúmeros sites de ong’s, associações, institutos e blogs dedicados ao tema”, afirma a universitária Anne. Para Senildo, esse fenômeno blogueiro vai além. “No Acre, os blogs pautam muitos jornais e tvs”, diz o jornalista.

Muitos acreditam que o segredo dos blogs mais acessados é o uso de ferramentas de conversação com o web-leitor, tais como os recursos que possibilitam o envio de matérias por e-mail ou SMS, e ainda permitem aos visitantes mandar comentários sobre os textos publicados.
Como exemplo pode-se citar o blog “Natureza em Pauta”, de Anne Rodriguez, em que há recursos de fotos, vídeos e áudios (podcast) e as ferramentas de envio de posts por e-mail e comentários dos mesmos.

Outra característica dos blogs é o uso de hiperlinks, que é uma referência num documento em hipertexto a outro documento ou a outro recurso. Os hiperlinks são extremamente necessários para a interação mídia e leitor, visto que eles saciam a curiosidade sobre alguma informação, possibilitando o aprofundamento do assunto.

Dos blogs analisados, apenas o blog da Anne Rodriquez utiliza hiperlinks. Em seus textos, as palavras-chaves são incorporadas na ferramenta que, geralmente, estão relacionadas aos conteúdos de outros sites. O blog de Senildo Melo configura-se pela transposição de seus textos produzidos para a TV Aldeia (filiada à TV Cultura), onde trabalha como repórter especial. Ele credita à falta de estrutura a pouca variedade de recursos estruturais em seu blog.

Produzir um blog é possibilitar o acesso à noticia 24 horas por dia.. “A adaptação e flexibilidade de horários permite a atualização a qualquer hora e várias vezes ao dia”, afirma a futura jornalista.

Ambos os sites estão hospedados no mesmo servidor e apresentam o mesmo layout, onde há predominância da cor verde relacionando-se à temática abordada em cada blog: jornalismo ambiental.

Senildo Melo e Anne Rodriguez entraram no mundo dos blogueiros pela mesma porta: por incentvo de seus professores. Ele, na pós-graduação, e ela na graduação. “Meu professor sugeriu, logo no começo do ano, que cada aluno criasse um blog sobre o tema do TCC e ele serviria para nos avaliar durante todo o ano”, conta Anne.

Levando em conta que o blog da aluna de jornalismo faz parte de um método de avaliação de uma disciplina da faculdade, ele é provido de maiores recursos, em que são utilizadas várias ferramentas, indicações dos melhores blogs sobre o assunto, sugestão de sites de organizações que prezam pelo meio ambiente e, também, um acervo sobre o material publicado no site desde o seu início, em março deste ano.

Já no blog de Senildo, são sugeridos alguns dos seus livros preferidos, alguns com relação ao ambientalismo. Também apresenta um local para sites recomendados e para arquivos do blog, desde abril de 2007.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Moda para todos

Estar na moda não é um privilégio de poucos, jornalistas blogueiros tornam o mundo fashion mais acessível.

Gabrielle Nascimento
Nadja Peroni

Os blogs, que eram apenas utilizados como diários pessoais, onde seus proprietários postavam unicamente acontecimentos de sua vida ou sua própria opinião sobre diversos assuntos, hoje ganham outros valores. Pode-se encontrar na rede blogs informativos, nos quais quem escreve se preocupa com a notícia a ser veiculada, e muitas vezes crescem atingindo a credibilidade e a qualidade de um site.

Jornalista na Passarela (jornalistanapassarela.blogspot.com) é um blog de uma jornalista que fala sobre moda. Ele é atualizado quinzenalmente e dividido por sessões: Em pauta, Tendências, Famosos e Achados. Para cada edição são produzidas quatro matérias, todas escritas por Ana Carolina Lahr, estudante de jornalismo que idealizou o blog.

Lahr explica que, por enquanto, produz tudo sozinha, pois quis fazer tudo exatamente do jeito que planejou, mas que agora pensa em recrutar novas pessoas para fazer o blog crescer.
A página principal tem um espaço onde são mostradas respostas de pessoas com diferentes idades para a pergunta “O que é moda para você?”, frase que é também o slogan do blog. “A intenção era mudar (as declarações) a cada edição, mas acabo ficando sobrecarregada por fazê-lo sozinha, por isso ainda não pude atualizar”.

Por ser novo, o blog teve apenas três edições, seu conteúdo pode ser facilmente encontrado e acessado. Mas mesmo com um futuro crescimento, a organização do blog apresenta-se eficiente, já que na página inicial têm-se os ícones das diferentes sessões e clicando neles podemos acessar as diversas matérias produzidas de acordo com sua categoria.

As matérias são compostas por textos e fotos (nem todas possuem o crédito da repórter), “Eu utilizo também o recurso de vídeos disponibilizado pelo próprio blog. E nunca usei som porque não sei colocar ainda. Sempre tento, mas não tive sucesso”, explica, entre risos, Lahr.
Sobre as cores intensas que fazem parte do design, Ana Carol diz ter a intenção de combinar cores vivas mesmo que algumas vezes elas não combinem. “Por ser um blog de moda eu achei que tinha essa liberdade, assim como os estilistas criam certas coisas que às vezes nós não concordamos, entende?”.

Os assuntos abordados nas reportagens vão de tendências da estação, cobertura de desfiles a perfis de personalidades da moda, “Eu dou prioridade para o que eu gostaria de saber e não vejo por aí. Por exemplo, o que é um jornalista de moda? O que é um editorial de moda? Quem é Coco Chanel? Coisas que quem quer participar desse mundo deve saber”.

O blog é informativo e tenta não ser opinativo, “Uso adjetivos e faço interferências, até porque, apesar de ter um caráter jornalístico o blog nos dá essa possibilidade, já que é meu (risos). Mas, para dar opiniões mesmo deixo para a seção ‘opinião’, e para quando algum colunista quiser escrever (os colunistas não são fixos, quem tem material, me manda.)”, explica Ana Carol.
Para expressar seus sentimentos e opiniões, a jornalista possui outro blog, http://www.anacarol.com.br/, “É divididos em seções onde publico crônicas, poemas. Mas ele está meio desatualizado. Também escrevo, às vezes, para um blog literário (www.heteronimosaleatorios.blogspot.com), lá meu heterônimo é Jaime.

O blog Jornalista na Passarela tem espaço para interatividade com o internauta, cada matéria possui espaço para postagem de comentário, além disso, Ana Carol criou uma enquete com a pergunta “Qual o tipo de bolsa que vai entrar para a sua coleção nesta estação?”, mas, segundo Lahr, ninguém participou, por enquanto, pois, para ela, muitas vezes as pessoas têm preguiça de escrever.

Ana Carol espera que o blog cresça e conquiste leitores assíduos e participativos, para isso, ela se preocupa com a credibilidade das informações e divulgação do blog, que é feita por email, orkut, além de cartazes expostos na UNESP, faculdade que ela cursa. “Tenho também uns flyers que um amigo patrocinou. O problema é que o pessoal dificilmente pega um endereço no impresso para acessar na net”, diz Lahr.

Ela também explica que o conteúdo não é voltado, exclusivamente, para jornalistas, “Na verdade a linha editorial do blog se baseia num aprendizado conjunto. Eu escrevo para praticar e aprender e quem lê também vai entrando no mundo da moda aos poucos, junto comigo.”, fala Ana Carolina.

O que é moda pra você?
Laura Artigas, jornalista formada na PUC-SP, com pós graduação na Getúlio Vargas, dá suas opiniões sobre o mundo da moda em seu blog Moda pra Ler (http://www.modapraler.blogspot.com/). O slogan “Um blog simples, prático e elegante”, mostra as intenções de Laura.

Não são apenas opiniões, a jornalista escreve sobre o que gosta, o que a interessa, mas sempre com um teor informativo, além de publicar diversas entrevistas com “pessoas que realizam um trabalho interessante na moda”, explica Laura.

Ela se interessou pela área quando ainda era criança, e desde os 13 anos, quando teve que fazer um trabalho sobre este tema para o colégio, é consumidora voraz de livros e revistas de moda. Para ela, o blog é uma forma de fazer jornalismo de um jeito próprio.

Segundo Laura, o blog era uma alternativa, já que ela queria fazer jornalismo de moda, mas não tinha muitos contatos nem experiência nesta área. “Confesso que tinha um pouco de receio de expor minhas idéias na internet e demorei um pouco para fazer o blog, até que um dia acordei cedo e fiz”, diz.

O Moda pra Ler trata de distintas coisas relacionadas à moda: estilistas, história, entrevistas diversas, dicas de lojas, lugares livros e filmes. Todos os posts são classificados de acordo com o assunto: Comportamento, Entrevistas, História da Moda, Jornalismo de Moda, Tendências e Viagens; são algumas das seções, que se colocam ao lado direito da página. Os posts também podem ser buscados no blog, por ordem cronológica da postagem.

Laura usa fotos e vídeos para exemplificar os temas tratados em cada matéria. Muitas fotos são produzidas pela própria jornalista, e alguns posts são constituídos apenas de “ensaios” que ela faz. Os vídeos são publicados no You Tube, mas podem ser vistos na própria página do Moda pra Ler. Os posts também contam, muitas vezes, com links para outros sites mostrando, por exemplo, marcas de roupa e reportagens de outros jornais.

Distinto do blog de Ana Carol, O Moda pra Ler é clean, com um layout inteiro branco, com detalhes em rosa. Laura explica que “gosta do toque de rosa, é charmoso”. Quanto ao branco, diz: “tenho uma forte ligação com arquitetura moderna, uma vez ouvi um arquiteto amigo dizer ‘arquitetura é branco’. Apesar de parecer radical, para forma, para o lay-out é a cor que mais me agrada”.

Segundo o pesquisador Wagner Alonge, que se especializou no estudo da web e dos weblogs, em seu texto “Agoras digitais: a emergência dos blogs no ciberespaço e suas implicações na sociabilidade e cultura midiática”, “As comunidades podem ser facilmente detectáveis pelos links que ligam as páginas entre si, e pela intensidade de comentários pode-se ver que cativa leitores regulares”.

Essa afirmação pode ser exemplificada no blog de Laura. O Moda pra Ler possui, na direita da página, sugestões de diversos links a serem visitados. São categorizados em blogs ou sites que tratam de moda ou de diversos assuntos. E na seção “Moda nas Ruas”, que são sites e blogs de distintas partes do mundo de fotógrafos que Laura acha interessante.

Os leitores interagem com o blog, através da seção de comentários, assim como no Jornalista na Passarela. Chamados de “fru-frus” pela jornalista, uma palavra que segundo ela designa “as coisas a mais, as frescurinhas”. Os comentários mostram que o blog tem um acesso constante.
Laura recebe além dos comentários, três e-mails diários. “Quando publico algum guia de endereços ou fotos de viagens chegam bem mais”, diz. Ela acredita que por escrever com uma linguagem acessível, as pessoas se identificam com seu trabalho. Confirmando essa grande recepção dos internautas, o blog Moda pra Ler foi escolhido, entre outros, para divulgar a nova campanha do novo perfume da Chanel: Coco Mademoiselle.